São tantas emoções...

03/07/2014 19:13

 

“Se não quer pressão, é melhor não jogar na seleção. É melhor ir trabalhar no Banco do Brasil, num escritório” E assim, nosso simpático treinador tratou do tema, ainda no final de 2012. Conseguiu respostas oficiais do próprio banco e do aguerrido sindicato da categoria. A melhor foi da Associação de Funcionários: “No Banco do Brasil a pressão é tanta que nenhum gerente que contribua para rebaixar o nível de uma agência ganha como prêmio administrar uma agência maior, que foi o que aconteceu com o sr. Scolari.” Ele comandou o rebaixado Palmeiras e, na sequência, foi convidado para a seleção.

Os brasileiros já carregam o favoritismo da bola em qualquer estádio. E não nos basta vencer, precisamos dar espetáculo. Não há outro resultado aceitável. No esporte, jogar nos seus domínios é uma vantagem importante. Conhecemos melhor o ambiente e temos a torcida à favor. Disputar uma Copa como país-sede aumenta uma responsabilidade já imensa. Adicione ainda o trauma da derrota de 1950 e temos um desafio e tanto...

Os químicos informam que a pressão é a diferença entre o grafite e o diamante. Ainda que carbono seja elemento predominante neles e nos seres vivos, a adição da emoção muda o efeito da pressão. A biografia de cada jogador estará intimamente relacionada aos resultados na Copa brasileira. Do céu ao inferno. Eles participam dos mais importantes campeonatos do mundo, foram testados e aprovados. São jovens, porém experientes. E... são seres humanos!

O capitão levanta a taça e o time. O Dunga não é meu anão nem meu jogador preferido, mas o capitão do tetra teve seus méritos na ocasião. O fracasso anterior entrou para a história como a “Geração Dunga” – difícil carregar peso maior, hein... O sujeito mudou o penteado, correu, lutou e venceu. Thiago Silva é excelente zagueiro e forma uma das melhores defesas do futebol mundial, entretanto não tem perfil de liderança. O capitão não precisa ser o melhor jogador, o mais experiente, nem o que mais grita, mas em campo, como o maestro, ele dá o tom. E não pode ser na forma de lágrimas.

Faltou preparação compatível com o desafio. Na bola, talvez. Na cabeça, certamente! Sim, a pressão é enorme, incomparável. Todos sabiam disso, uma boa estratégia era fundamental. A pressão deve ser gerenciada, adicionada quando necessário, ajustada, reduzida em situações extremas como a atual. Eu acredito na preparação. Treino, treino, treino. Repetição, simulação de situações de jogo. Reais e mentais. Se você bate 100, 200 pênaltis, aumenta a sua confiança e apura a técnica. Aí entra aquela famosa frase: “quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho”. Mas a nossa cultura futebolísitica prefere o “rachão” pré-jogo... Falta ainda um Zagalo, como em 1998 contra a Holanda: “Nós vamos ganhar isso!”

O Bernardinho diz que, em uma oportunidade, perguntou ao próprio Felipão o que foi dito ao time antes da final da Copa de 2002. Todos sabiam da responsabilidade do momento, motivação era desnecessário. A resposta foi para aproveitar a oportunidade.

Os jogadores estão vivendo o sonho de milhares. Carpe diem! Lutem como nunca, e, principalmente, joguem bola. Perder para o adversário faz parte do jogo, não podemos sair derrotados para o medo, nas palavras do Sr Miyagi, com adaptações. Na bola, o resultado é quase tudo. O resto é a dedicação. O medo de perder não pode ser maior que a vontade de vencer.