O dono da bola

12/05/2014 11:50

 

O mundo está em contagem regressiva. Faltam poucos dias para o país do futebol receber o maior evento do seu esporte. Agora, a Copa do Brasil não será aquele torneio que ainda honra o formato mata-mata, o genérico do Brasileirão, do qual, rubro-negros, somos os atuais campeões.

Sediar uma Copa do Mundo é um momento exibicionista, uma demonstração de prestígio e de poder. Como em qualquer festa, o anfitrião banca a diversão dos convidados. Estádios comportam milhares, não milhões. Na telinha ou no telão, assistiremos aos jogos como sempre: reclamando do Galvão Bueno, mas aumentando a audiência da Globo.

Falar no trade-off estádio X hospital é apelativo, ainda que, em alguma medida, verdadeiro. Afinal, a gente não quer só comida... Assim como levantar uma taça não apaga nossos problemas, a Fifa não é a explicação para todas as mazelas. Mais uma vez, não somos vítimas. Fazemos escolhas, certas ou erradas.

A Copa do Mundo é popular e elitista simultaneamente. Explico: O povo entra com o trabalho, a elite com a festa. Celso Furtado falava em socialização das perdas. Na parceria com a dona Fifa, não entramos apenas com o cafezinho, para fixar no tema original da expressão... Teremos a socialização dos custos e a privatização dos lucros. Só o título será capaz camuflar isso. Espero que a Dilma tenha escolhido pagar pelo pacote completo, incluindo a taça. Acho que pela primeira vez, prefiro seguir o exemplo da França, não o da Alemanha!

A única certeza é a Copa no Brasil. Transformá-la em Copa do Brasil é o grande desafio de uma Seleção para a qual não basta vencer, tem que convencer e jogar bonito. Ser o dono da bola é uma responsabilidade extra! Do contrário, apenas pagaremos uma festa para os gringos. Ou pior, para os hermanos...

A conferir...