O Desafio Rio - Minas

07/07/2011 16:47

 

Quando o relógio indicou o horário de levantar, ouvi um barulho inesperado. Chovia torrencialmente. Daquele tipo que alaga e paralisa a cidade em pouco tempo. Uma decisão racional seria fechar os olhos e recuperar o sono, afinal, ainda era noite fechada. Mas racionalidade não combinava com aquele dia. Era o desafio Rio-Minas. Seria uma sexta-feira 13 bastante diferente. O ultramatonista Márcio Villar promoveu uma corrida do Rio de Janeiro até São Lourenço (MG) para arrecadar fundos em benefício de uma fundação de apoio ao INCA. Ele e mais alguns aventureiros iam correr o percurso inteiro, aproximadamente 300 km. Eu corri meros 9% disso. Saímos da porta do INCA, na praça da Cruz vermelha, no centro do Rio. Parei no começo da via Dutra, seguindo meu treinamento e minha capacidade física.

A iniciativa teve o suporte fundamental da Polícia Rodoviária Federal, que disponibilizou batedores para fazer a proteção ao longo da via. A única coisa que pode ser classificada como “insana” é a distância. De resto, é profissionalismo, treinamento e organização.

O grupo na largada tinha umas 12 pessoas. Perto da Fiocruz, depois de uns 15 km, alguns pararam. De fato, era um ponto mais fácil para conseguir um transporte de volta. Meu objetivo era correr um pouco mais. Dentre os que seguiram, meu recorde pessoal de distância era os 42km de uma maratona. O seguinte correra 180km e iria ultrapassar os 200km pela primeira vez aquele dia. O Márcio tem no seu currículo provas de mais de 400km em condições duríssimas. O cidadão completou provas com mais de 100 milhas (160km) fazendo o trajeto ida e volta, já correu no frio de –30ºC e no Vale da Morte (EUA), sob o sol de mais de 50ºC. Lá, o corredor deve seguir pela faixa branca do acostamento. O calor um pouquinho menor impede que o calçado derreta de imediato! Parece quase sobrenatural. E acho que é! O mundo da ultramaratona parece uma realidade paralela. Falam de trajetos de 100 km em montanhas isoladas com a naturalidade que os corredores “normais” comentam provas de 10 km no Aterro do Flamengo, com toda a infra-estrutura.

Certamente ver algumas pessoas correndo em plena Avenida Brasil, antes das 8:00 da manhã e com chuva, gera alguma curiosidade. O adjetivo mais carinhoso deve ser “maluco”. Os menos amistosos devem começar com “idiota” e terminar com ofensas diretas. Ao longo do trajeto, alguns poucos permaneciam indiferentes diante de cenas tão exóticas. Algum apoio, algumas críticas e reclamações, muitas reações de surpresa. Quando cheguei ao meu destino final, o restaurante Casa do Alemão, no começo da via Dutra, alguns garçons e clientes, entusiasmados e naturalmente curiosos, vieram me perguntar “o que era aquilo”.

Iniciado às 7:30 da sexta-feira, o desafio terminou na manhã de domingo, quando os guerreiros que completaram 300km chegaram a São Lourenço. Penso que esses feitos, de tão impressionantes, causam mais perplexidade que admiração nas pessoas. É mais simples alguém correr numa pista ou numa prova organizada, chutar uma bola, disputar e vencer um torneio em qualquer modalidade. Mas correr tanto, definitivamente, não é normal.

Bom, se você estava passando pela Avenida Brasil ou pela via Dutra no último dia 13 de maio e foi surpreendido com corredores na pista, agora já sabe do que se trata!

Pois é, posso falar que já corri na Avenida Brasil. Sem dúvida, uma experiência única!

Site do Márcio, com detalhes do evento: www.marciovillar.com