Escalando montanhas e superando dificuldades

08/05/2012 11:14

Eu esperava o ônibus na Praia do Flamengo, quando as luzes artificiais davam lugar aos primeiros raios de sol. Era o dia da minha primeira escalada ganhando cores. Os acordes do “Cabeça Dinossauro” ainda ecoavam nos meus tímpanos e no meu coração. Poucas horas após o épico espetáculo de Rock and Roll dos Titãs, experimentado no Circo Voador, eu já estava de pé, rumo a outra experiência física e mental.

As poucas horas de sono – acho que foram três – poderiam ser interpretadas como irresponsabilidade ou descaso. Grande engano! Eu queria muito fazer as duas atividades e o calendário colocou tudo junto. Paciência... Teria tempo de sobra para descansar depois! Estava plenamente consciente das dificuldades, do tamanho do desafio. E a motivação era compatível. Meu preparo físico era adequado, o que faltava de técnica seria compensado com vontade de subir.

Já li muita coisa sobre montanhismo, relatos e histórias, a maioria no Himalaia. Seria uma iniciação interessante. Uma via considerada fácil, na face Norte do Morro da Urca. Após a tranqüila trilha, chegamos à base da escalada. Sou apresentado aos equipamentos e recebo as instruções necessárias. Tudo pronto, ao ataque! Pra ser sincero, acho que fui atacado! A combinação de pedra inclinada e força da gravidade impedia meu progresso. Eram dois metros morro acima, um metro morro abaixo. Bom, ao menos o saldo era positivo...

No cume, os dedos esfolados, pescoço, ombros e braços exaustos do esforço desproporcional, característico dos calouros sem técnica, contrastavam com a imensa alegria que eu sentia. Minha performance foi caótica - escorreguei praticamente o tempo todo e tive dificuldade mesmo nos trechos mais fáceis – mas concluí a minha primeira escalada!

Assim como acontece na minha conhecida maratona, a escalada é repleta de oportunidades para comparações e metáforas da vida. Ascensão e queda, busca por pontos de apoio seguros e confiáveis, metas e conquistas. De volta ao meio urbano, segui caminhando pelas ruas da Urca sem rumo certo, pensando no que tinha feito. As últimas 12 horas tinham sido realmente muito intensas. E eu precisava de algum tempo para assimilar tudo que tinha acontecido.

O desempenho ridículo não me inibiu. Na verdade, motivou. Quanto mais difícil é o desafio, mais valorizamos o resultado. Sim, pretendo repetir, mas antes preciso passar pela escolinha e usar um calçado minimamente compatível. Agradeço muito ao Rodrigo, que sempre me incentivou e me colocou na lista dos interessados naquela escalada, e ao Porto, meu guia naquele empreitada. Com muita paciência, agüentou mais um estreante. Segurança absoluta e confiança total nas pessoas e no equipamento. Muito obrigado!