Admirável mundo novo: o despertar alectório

31/07/2013 12:49

 

Trata-se de mero efeito estatístico, tenho certeza. Com mais amostras, eventos improváveis acabam acontecendo. Elementar... Ao menos no racional mundo dos números. Mas sempre surpreendente quando aplicado ao nosso emocional jogo de futebol!

 

Faço um pequeno desafio lingüístico. Vocabular, para ser mais preciso. Você sabe o que significa alectório? Aprendi no 2º ano do antigo 2º Grau, o moderno Ensino Médio. O professor de Português desafiou a turma e ninguém soube responder “do galo”. Guardei o adjetivo por 15 anos. Agora, encontrei alguma utilidade.

 

O Atlético Mineiro, eterno freguês e saco de pancadas dentro e fora das Minas Gerais, foi campeão da Libertadores da América. Um feito surpreendente, verdadeira quebra de paradigma! Com muita sorte e com muito mérito, é verdade... De quebra, para completar a zebra, o comandante era o Cuca. O técnico monta ótimos times, que rotineiramente encantam torcedores e jornalistas, mas fracassam em momentos decisivos. Excelente estrategista, péssimo motivador. Daqueles que deveria assistir aos jogos da arquibancada, longe da equipe. Viveu altos e baixos no alvinegro carioca. Título? Debutou no rubro negro carioca, em 2009. No mesmo ano, tornou-se herói ao evitar novo rebaixamento tricolor e montou uma equipe campeã, sem ele. Depois, foi tri campeão mineiro, entre Raposa e Galo.

 

Meu palpite é que os ares pouco oxigenados do Kilimanjaro, com  a camisa conduzida bravamente pelo Paulo até o cume, contribuíram para a conquista!

 

Parabéns ao novo campeão das Américas! O Galo cantou alto. Foi o verdadeiro despertar alectório! Agora, as lágrimas são de alegria. Chororô legítimo, de campeão! Que venha o Bayer de Munique. Mas que venha devagar, não queremos canja de galinha à mineira! Nem frita, se o raio cair duas vezes no mesmo lugar... Ainda tento me acostumar que vivo num mundo onde isso é possível. Só falta o Botafogo...

 

PS: o texto é uma singela homenagem ao meu amigo Paulo Henrique Balboa, sujeito com o coração futebolístico dividido entre Minas Gerais e Rio de Janeiro.